A Profissionalização da Gestão de Contratos  no Brasil

Prof. Francisco Eduardo Ferreira da Cunha, Msc

 

 

Uma nova competência vem sendo cada vez mais exigida dos profissionais de alto nível: Ser um bom gestor de terceirizados.

 

Essa característica tem se tornado indispensável para consecução dos objetivos estratégicos das organizações.  A grande maioria das grandes empresas instaladas no Brasil, possuem projetos de expansão ou de modernização das suas atividades o que significa um grande esforço temporário que não justifica a primarização de boa parte das atividades do projeto. Nessa ótica, o Gestor desses projetos assume o papel de gestor de fornecedores terceirizados que irão compor o esforço necessário para conclusão do projeto.

 

Assim nasce a necessidade de terceirização das atividades meio do projeto o que gera em muitos casos, uma grande quantidade de contratos com obrigações, riscos e atividades a serem integradas  pelo Gestor.

 

O mesmo fenômeno ocorre nas áreas funcionais das empresas, que também contam com uma gama enorme de serviços terceirizados que exigem de seus funcionários habilidade para decidir o que deve ou não ser terceirizado, avaliando todos os aspectos dessa decisão como a economia, agilidade e qualidade dos serviços a serem contratados. Dentre as atividades mais comuns de serem terceirizadas na indústria, destacamos:

 

  • Limpeza, Conservação e Vigilância Patrimonial;
  • Manutenção de Máquinas e Equipamentos;
  • Montagem Eletromecânica;
  • Obras Civis;
  • Transporte;
  • Etc

 

Outro dado importantíssio, obtido no estudo ganhado do Prêmio Nobel de Econômia de 2016 (http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/10/oliver-hart-e-bengst-holmstrom-vencem-o-premio-nobel-de-economia.html) trata dos custos adicionais que os contratos podem ter através de pleitos e aditivos, Segundo o estudo mencionado acima e encorpado pelo IACCM (International Institute os Comercial Contract Management), contratos, em especial os de Obras Civis, podem ter sobrecustos médios de que variam entre 15% e 25% do Orçamento Orginal.

 

A Contrattare Consultoria, tendo como base dados obtidos pelas 3 principais câmaras de Arbitragem do Brasil e dos 5 maiores sindicatos de empresas do ramo da construção civil no Brasil, Apurou que em 2018, Os contratos de Obras Civis avaliados no estudo sofreram sobre custo em relação ao valor original contrato na ordem de 15,49%, já descontados os índices de reajuste.

 

Desta forma todo gestor seja de áreas da empresa ou de projetos específicos deve ter a capacidade mínima de entender como funciona o processo de terceirização e o contrato, quais as responsabilidades do Contratante, o que diz a lei em relação ao dever de fiscalização do Contratante, quais os riscos trabalhistas, tributários, civis e ambientais que envolvem uma contratação, quais os mecanismos de geração de economia durante a vigência do contrato entre outros aspectos.

Para assumir esse novo papel, o profissional de alto rendimento deverá desenvolver as seguintes características e habilidades na figura 1 abaixo:

Somente será possível a gestão eficaz dos contratos de uma organização se todos os envolvidos perceberem que existe a necessidade de sistematização dessa atividade integrando-a a rotina do profissional.

Esse modelo de Gestão de Contratos profissionalizado, envolve a criação de normas específicas de gestão bem como o estabelecimento de acordos internos de cooperação entre as diversas áreas da empresa, integrando todas as atividades necessárias para uma boa e segura gestão de terceirizados. Essa integração pressupõe um modelo de Gestão Compartilhada onde o Gestor de Contratos conta com o apoio de diversas áreas da empresa para garantir uma eficaz condução dos contratos sob a sua responsabilidade.

 

Dentre os diversos benefícios que podem ser colhidos pela profissionalização da administração de contratos podemos destacar os da figura 2 abaixo:

Desta forma a performance de contratação nas empresas é aumentada substancialmente gerando economia na aplicação de recursos anuais do contrato, bem como aumenta a segurança institucional das organizações que ficam menos expostas aos riscos citados neste artigo.